Eu queria ser capaz de escrever um lindo poema.
Eu criei um blog para criar em mim a sensação da obrigação de escrever.
Não funcionou. Eu não escrevo tudo que quero. Na verdade não quero, porque se quisesse mesmo, tenho certeza que teria feito.
Não é coragem que falta. É outra coisa.
Será a tal palavra? Essa musa sonhada do poeta que impede um sujeito qualquer de arriscar enfrentar a caneta e o papel? O pavor de segurar a espada e desenhar no escudo as emoções. Seria uma entrega muito grande? Seria doloroso enfrentar seu reflexo? Claro que seria. E é.
Mas também não é a dor que impede a saída das palavras. As vezes, a dor ajuda, te deixa mais sensível.
Mas não é. Não é dor, nem felicidade.
É a minha cabeça que não decodifica os pulsos dos meus músculos.
Eu movimento a palavra no ar. Não sei transportar para o papel.
Eu cheiro palavra, vejo palavra, beijo palavra, como palavra, gozo palavra, danço palavra. Mas não escrevo.